Letalidade disfarçada


O uso abusivo das chamadas “armas menos letais” (balas de borracha, spray de pimenta, gás lacrimogênio, etc.) pelas policias para dispersar manifestações, resultando em graves danos à cidadãos, é um fato recorrente tanto em países democráticos quanto em regimes autoritários.

Apesar de violações como estas ocorrerem à revelia de normas internacionais e já terem sido denunciadas por organizações da sociedade civil, havia a necessidade da produção de mais dados e análises consolidadas sobre os verdadeiros impactos à saúde causados por este tipo de armamento.

Afinal, que lesões podem ser provocadas por canhões de água? Quais os efeitos causados no corpo pela química do gás lacrimogênio e do spray de pimenta? Qual a gravidade dos danos causados pelo uso incorreto e abusivo de balas de borracha?

Cinema de resistência busca influenciar na construção de valores da sociedade


O cinema é um grande conhecido da sociedade como forma de lazer, arte e cultura. O que muitos talvez não se deem conta é que a Sétima Arte sempre foi uma influenciadora de costumes e valores da sociedade.

“Temos que ter consciência de que o entretenimento, sem que a gente perceba, está nos incutindo valores”. A afirmação é da cineasta paulistana Tata Amaral, no debate “Cinema e Culturas de Resistências”, que aconteceu na noite do dia 19 de janeiro, durante o Fórum Social das Resistências, em Porto Alegre.

Como exemplo, ela fala que nos cinemas de ação norte-americanos, em 1990, os personagens negros sempre eram os primeiros a morrer e isso certamente reforçou o racismo ainda presente na sociedade. “É o cinema de entretenimento nos fazendo crer que as pessoas negras estão lá pra morrer”, continua.

De acordo com Tata, há um esforço para apagar a história de classes mais baixas através do poder da narrativa, fazendo com que elas sejam menos valorizadas e aceitem isso como sendo verdadeiro. “A narrativa é uma questão de lugar, de poder. Por isso certas famílias são nobres, têm direto e outras não. Porque têm história”, declara.

Leonardo Sakamoto: Governo ignora STF e não divulga “lista suja” do trabalho escravo


O ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira ainda não divulgou o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra análoga à de escravo, a chamada "lista suja" da escravidão. Criada em 2003 pelo governo federal, a "lista suja" é considerada pelas Nações Unidas um dos principais instrumentos de combate ao trabalho escravo no Brasil e apresentada como um exemplo global por garantir transparência à sociedade e um mecanismo para que empresas coloquem em prática políticas de responsabilidade social.

Associação dos Auditores da Receita Federal contesta reforma da Previdência


A Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni) e a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) vêm a público, nesta data em que se comemora os 94 anos de existência da Previdência Social em território brasileiro, manifestar-se sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 287/2016:

1. A Previdência Social é um direito humano fundamental, consolidado na Constituição Cidadã de 1988. A inclusão previdenciária garante um seguro social, necessário quando o indivíduo se encontra em situação vulnerável e desamparado, seja pela idade avançada, acidente, invalidez ou maternidade, riscos sociais cobertos pelo seguro social brasileiro.

Coletivo argentino Ni Una Menos convoca paralisação global de mulheres


O coletivo Ni Una Menos, que nasceu na Argentina em 2015 como resposta a uma onda de feminicídios que mobilizou a sociedade, convocou nesta terça-feira uma paralisação internacional pelos direitos das mulheres, no próximo 8 de março.

A paralisação, que coincide com o Dia Internacional da Mulher, é produto de uma articulação do coletivo com mulheres de vários países em defesa de seus direitos, explicou a ativista e jornalista do Ni Una Menos Marta Dillon à rádio Télam.

A ação de rua quer denunciar em um “grito comum” que “o capital explora nossas economias informais, precárias e intermitentes. Que os Estados nacionais e o mercado nos exploram quando nos endividam”, afirma a convocatória.

O protesto, cuja proposta é uma paralisação de cinco horas, também tem como alvo a diferença salarial entre homens e mulheres, que é de 27% em média, acrescenta o comunicado.

Dillon se referiu à dificuldade das mulheres de “conciliar o trabalho remunerado com o trabalho não remunerado”, em referência às tarefas domésticas, que contribuem para trabalhos mais precários, de meia jornada, com salários mais baixos e levam a renunciar a carreiras profissionais.

Clube de Engenharia: Crise na Engenharia


Reproduzimos o manifesto do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro em 23-1-2017

A engenharia brasileira vive a maior crise de sua história. Empresas de reconhecida capacidade técnica, com expressiva contribuição em obras e serviços para nossa engenharia, encontram-se paralisadas diante dos processos jurídicos a que estão respondendo. Os profissionais, em especial seus engenheiros, são demitidos aos milhares, as obras são suspensas, enquanto se espera para ver até que ponto essas empresas serão atingidas pelas acusações da Lava Jato.

Congressitas dos EUA pedem a proteção dos direitos humanos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição


O congressita John Conyers Jr. (distrito de Michigan) liderou dezenas de membros do Congresso Norte-Americano, incluindo membros sêniores do Comitê Judiciário da Câmara, do Caucus Progressista do Congresso (CPC), e do Caucus Afro-Americano do Congresso, a enviar uma carta ao Embaixador do Brasil para os Estados Unidos, Sergio Silva Do Amaral, expressando apreensão quanto aos desenvolvimentos recentes no Brasil e instando o governo brasileiro a proteger os direitos humanos dos manifestantes, líderes de movimentos sociais e líderes da oposição.

Signatários incluem o representante John Conyers, membro do Comitê Judiciário da Câmara,  representantes Zoe Lofgren (Califórnia), Steve Cohen (Tennessee), e Sheila Jackson Lee (Texas) ― todos membros sêniores do Comitê Judiciário da Câmara. Do Caucus Progressista do Congresso, os co-presidentes Raul Grijalva (Arizona) e Keith Ellison (Minnesota), o primeiro vice-presidente Mark Pocan (Wisconsin), e a vice-presidente Barbara Lee (Califórnia) também assinaram, juntamente com outros quatro congressistas do Partido Democrata.

Nota coletiva repudia portaria que altera demarcações de Terras Indígenas


Nota de Repúdio à Portaria MJ n.º 80/2017

As organizações abaixo-assinadas vêm manifestar seu repúdio à Portaria n.º 80/2017, expedida pelo ministro da Justiça, dado seu nítido caráter de fazer prevalecer decisões de natureza política sobre conclusões eminentemente técnicas que fundamentam o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação de terras indígenas, elaborado no âmbito da Fundação Nacional do Índio (Funai). A medida segue na linha do enfraquecimento do órgão indigenista federal, atualmente com o pior orçamento de sua história, e consiste numa forte concessão do Governo Michel Temer a bancadas parlamentares anti-indígenas, em contraposição aos direitos ligados à vida dos povos indígenas do Brasil, notadamente o direito originário às suas terras tradicionais.

Pataxó, uma história de resistência


Com o País à beira de um desgoverno, a demarcação de terras indígenas é um assunto urgente que se arrasta há 500 anos, desde que os portugueses chegaram por aqui. No Sul da Bahia, marco zero da história brasileira, os índios Pataxó resistem bravamente aos ataques dos governos neo-liberais e estão sempre na luta por terras e reconhecimento étnico.

“Nossa luta tem história”, diz a líder indígena Nitynawã Pataxó da Reserva da Jaqueira / Aldeia Coroa Vermelha, situada no município de Santa Cruz de Cabrália a 12 km do Centro de Porto Seguro. Ela conta que em 1951, por decisão do Governo da Bahia, em concenso com os ruralistas, a Polícia Militar invadiu o território legítimo e sagrado do seu povo e o resultado foi a morte de muitos índios, queimas de ocas, estupros de mulheres e tortura de crianças. Lutaram no corpo a corpo 22 famílias, mas o Estado saiu vitorioso e os nativos, apavorados e humilhados, embrenharam-se na mata em busca de sobrevivência.

Quase extinção

A barbárie no nosso cotidiano


Por Cândido Grzybowski*

Que começo de ano! As prisões brasileiras são palco de verdadeiras carnificinas entre bandos enjaulados, todos seres humanas tratados como se fossem sacos de batatas deixadas para apodrecer. As chacinas, especialmente nas favelas e periferias, já são tão corriqueiras que a maioria nem mais é notícia. Morrem jovens favelados e morrem policiais, numa guerra sem causa. Muitas mortes pelas tais “balas perdidas”, como se 99,9% dos tiros não fossem intencionados, disparados para exatamente matar. Mata-se na certeza que tudo vai ficar assim mesmo. Será que entramos num momento de normalidade do matar e de ser morto? Quando vemos aqueles horrores na guerra na Síria e os dramas dos que fogem para sobreviver ficamos chocados. Também ficamos perplexos diante das atrocidades de que são capazes de praticar aqueles fanáticos militantes do Estado Islâmico ou os bandos armados na Nigéria.  Os frequentes ataques terroristas mundo afora criam consternação e ficamos felizes por não ser por aqui.  Mas por que  a barbárie no nosso cotidiano não nos causa horror igual?