A universalização da conectividade no Brasil permanece como um desafio, especialmente em territórios indígenas, quilombolas e populações extrativistas da Amazônia. Nesse contexto, a ausência de infraestrutura, as barreiras geográficas, a baixa competitividade entre prestadores de serviço e a dificuldade de formulação de políticas públicas adequadas reforçam a exclusão digital.
A partir de 2021, os satélites de baixa órbita (LEOs) ganharam centralidade no debate sobre conectividade, apresentados como solução para regiões remotas. Em 2022, a Anatel autorizou a Starlink, da SpaceX, a operar milhares de satélites no Brasil, incluindo a Amazônia. Embora essa tecnologia tenha ampliado as possibilidades de conexão, sua rápida expansão, sem políticas públicas que considerem as especificidades locais, levanta preocupações sobre concentração econômica, autonomia das comunidades, impactos sociais e culturais, inclusão digital limitada, regulação insuficiente e segurança dos dados.
Foi nesse cenário que o InternetLab e o Instituto Nupef, com apoio da Fundação Ford, desenvolveram o Projeto Redes na Floresta, com o objetivo de produzir materiais de referência que contribuam para pesquisadores, gestores públicos, academia e sociedade civil na formulação de estratégias de universalização da conectividade na Amazônia.