Uma coalizão de quase 400 pesquisadores de segurança e privacidade divulgou uma declaração pública conjunta abordando a rápida tendência global em direção a sistemas obrigatórios de verificação de idade online. A carta responde a iniciativas legislativas e regulatórias em diversas jurisdições que exigiriam que os usuários verificassem ou estimassem sua idade antes de acessar plataformas de mídia social, serviços online, sites ou ferramentas de IA. Embora reconheçam a importância de proteger as crianças dos danos online, os signatários argumentam que as propostas atuais de verificação de idade são tecnicamente imaturas, insuficientemente estudadas e provavelmente introduzirão sérios riscos à privacidade, segurança e equidade. Eles pedem uma moratória na implementação em larga escala até que evidências científicas mais robustas e salvaguardas sejam estabelecidas.
Essa é uma história de tragédia: milhões de peixes nunca chegaram às águas da Volta Grande do Xingu, que foram sequestradas pela hidrelétrica de Belo Monte.
No dia 21 de fevereiro de 2026, indígenas e ribeirinhos da Volta Grande do Xingu voltaram a presenciar uma cena que já se tornou recorrente: milhões de ovas de peixes morrendo no seco, em local que deveria ser um berçário. É o quarto ano consecutivo de mortandade registrada na Piracema do Odilio: 2023, 2024, 2025 e agora 2026.
O Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra), do qual o Projeto Saúde e Alegria faz parte, divulgou em 5 de fevereiro uma nota técnica que critica o edital de dragagem no Rio Tapajós publicado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Com valor estimado em R$ 74 milhões, o projeto avança sem licenciamento ambiental, sem estudos de impacto e sem consulta às comunidades tradicionais — violando direitos garantidos pela Convenção 169 da OIT. O edital é um dos motivos da ocupação da sede da Cargill em Santarém (PA), que completa duas semanas.
Isentas de reporte, atividades militares não entram na conta de carbono, mas, se fossem um país, seriam o quarto maior emissor global. Desde o Protocolo de Kyoto, firmado em 1997, as emissões de gases de efeito estufa por rotinas militares e guerras seguem fora da conta de carbono, isentas da obrigatoriedade de reporte. Se houve algum avanço no Acordo de Paris de 2015, ele foi retórico, ao reconhecer o impacto do carbono militar, mas ainda sem exigir sua contabilização. Com quase nenhum país fazendo esse reporte, a falta de transparência é justificada sob o argumento da segurança nacional.
A CMSI+20 reafirma a governança multissetorial e um fórum de governança duradouro
Por Israel Rosas, Diretor de Parcerias e Desenvolvimento da Internet, Internet Society.
Fonte: Internet Society blog
A Reunião de Alto Nível sobre a revisão geral da implementação dos resultados da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI+20) ocorreu na sede da ONU em Nova Iorque, nos dias 16 e 17 de dezembro de 2025. Esta é a declaração de Anriette Esterhuysen, am nome da Associação para o Progresso das Comunicações (APC), sobre o documento de resultados da CMSI+20. O documento de resultados em inglês e espanhol está em anexo.
Os pedidos de bloqueio de IPs e nomes de domínio recebidos pelos provedores brasileiros chamam atenção não apenas pelo impacto operacional, mas pelo que revelam sobre o momento regulatório que vivemos. Essas solicitações expõem limitações técnicas conhecidas e, não raro, certo desconhecimento de como a arquitetura da Internet funciona. Não é possível bloquear URLs via DNS. Endereços IP são compartilhados por inúmeros serviços. Qualquer tentativa de filtragem na camada de rede, pensando em conteúdo, produz efeitos colaterais que ultrapassam em muito o alvo original. A Internet não foi construída para esse tipo de intervenção, e a infraestrutura de encaminhamento operada por ISPs e IXPs nunca foi o local adequado para isso. Essas iniciativas frequentemente confundem camadas da arquitetura, atribuindo ao DNS ou ao roteamento funções que não lhes pertencem.
Verdades sejam ditas. Já sabíamos, mas Belém escancarou ainda mais o descaso das nações mais poderosas, que se dizem líderes da humanidade, com o futuro da própria.
No dia 5 de dezembro, às 10h30, o CGI.br realizará um encontro multissetorial que propõe uma reflexão sobre a corresponsabilidade dos diferentes atores no desenvolvimento, manutenção e uso da Internet. A discussão, promovida pela Câmara de Universalização e Inclusão Digital e pela Câmara de Conteúdo e Bens Culturais, leva em conta a interdependência entre plataformas digitais, provedores de conexão, infraestrutura de telecomunicações e de rede, governos e usuários.