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Emergência química no Maranhão

Fonte: https://www.rederama.org/post/emergência-química-no-maranhão-o-pior-trimestre-já-registrado-de-pulverização-sobre-comunidades

Emergência química no Maranhão: o pior trimestre já registrado de pulverização sobre comunidades
Rama rede de agroecologia -- 06-04-2026

Novo relatório da RAMA, FETAEMA e LEPENG-UFMA revela a dimensão da crise de agrotóxicos no Maranhão e exige resposta urgente do Estado

Entre janeiro e março de 2026, foram registradas 222 notificações de pulverização de agrotóxicos sobre comunidades rurais, quilombolas, indígenas e assentadas no Maranhão (muitos deles com substâncias proibidas na Europa) – envolvendo 188 comunidades distintas (algumas atingidas mais de uma vez ao longo do trimestre). As ocorrências se espalham por 41 registros municipais (somando os três meses), totalizando 29 municípios efetivamente afetados.

O dado supera todo o ano de 2025 (122 comunidades) e aponta para uma emergência sanitária, alimentar e de direitos humanos sem precedentes no estado.

A Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), em parceria com a FETAEMA e o LEPENG-UFMA, divulga o balanço do primeiro trimestre de 2026. Só em janeiro, foram 142 notificações – o pior mês já registrado pela RAMA.
 


 

 

 

 

Mapa do Veneno 1º Trimestre de 2026

Destaques do relatório

  • Crise sanitária: sintomas agudos como queimaduras, vômitos e convulsões, além de efeitos crônicos como câncer e neurotoxicidade — sem estrutura de atendimento adequada no estado.

  • Crise alimentar: destruição de roças de mandioca, milho, feijão, quintais produtivos e áreas de babaçu, comprometendo a segurança alimentar de centenas de famílias.

  • Crise ambiental: contaminação de água, solo e ar, mortandade de peixes, colapso de polinizadores e uso massivo de drones não registrados.

  • Racismo ambiental: mais de 75% das comunidades atingidas são tradicionais, quilombolas ou indígenas.

Lista dos municípios e comunidades atingidas em 2026:

Organizamos abaixo a lista de todas as 222 notificações (188 comunidades distintas), separadas por município e em ordem alfabética:

Total: 188 comunidades | 29 municípios | 222 notificações

[A lista completa está em anexo]

Baixe o relatório completo [está em anexo]

O Balanço do 1º Trimestre de 2026 é um documento técnico e político fundamental para quem quer entender — com dados, análises e referências — a dimensão da crise de agrotóxicos no Maranhão.

Elaborado pela RAMA, FETAEMA e LEPENG-UFMA, o relatório aprofunda cada uma das dimensões aqui apresentadas: os impactos sanitários sobre as comunidades, a destruição da produção de alimentos, os crimes ambientais, o racismo ambiental e o enquadramento jurídico das violações — inclusive no Direito Internacional. Este relatório é leitura obrigatória para pesquisadores, jornalistas, advogados, profissionais de saúde e todos que se preocupam com os direitos dos povos do campo no Maranhão.

O que está sendo feito

  • Denúncia da RAMA à ONU (fevereiro/2026)

  • Projeto de lei estadual (dep. Carlos Lula) para proibir pulverização aérea no Maranhão

  • Justiça Federal arquivou ação do SINDAG contra a RAMA, confirmando a legalidade da atuação da rede

É urgente

O relatório aponta seis medidas que precisam ser adotadas com urgência pelo Estado:

  • Lei estadual proibindo a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o Maranhão

  • Fiscalização em tempo real das operações com drones, com identificação e punição dos responsáveis

  • Implementação do Plano Estadual de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA)

  • Reparação integral às comunidades atingidas, incluindo recomposição de danos materiais e acompanhamento de saúde

  • Apoio público à transição agroecológica como alternativa ao modelo do veneno

  • Responsabilização criminal dos operadores e contratantes das pulverizações sobre comunidades habitadas

A guerra química no Maranhão precisa parar. Queremos territórios livres de veneno.

Expediente

  • Monitoramento e dados: RAMA, FETAEMA, LEPENG/UFMA

  • Textos e análise: (RAMA)

  • Contato para denúncias: WhatsApp (98) 98522-2988

 

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