Fonte: Instituto Socioambiental
O flagrante foi documentado pelo Monitoramento Ambiental Territorial Independente (MATI-VGX), aliança entre comunidades locais e pesquisadores com apoio do ISA que, desde 2014, acompanha os impactos da usina de Belo Monte.
Antes da barragem, a desova da curimatã era sincronizada com a cheia natural do rio. Hoje, com o desvio de até 80% da vazão do Xingu, o nível baixo do rio principal deixa de represar os igarapés. Após chuvas locais, as áreas de piracema secam abruptamente e as ovas ficam expostas fora d’água.
O período reprodutivo é protegido pelo “defeso”, mas, na prática, essa proteção não alcança as piracemas afetadas pela operação da usina. Sem reprodução, os peixes se tornam escassos e a segurança alimentardas comunidades indígenas e ribeirinhas fica ameaçada. Em 2016, a Funai alertou que a perda das espécies aquáticas pode levar ao deslocamento forçado dessas populações.
Mesmo após o Ibama determinar a revisão da partilha das águas, a concessionária Norte Energia tem se recusado a cumprir a medida. Multas acumuladas não impediram a repetição do dano.
Defender o Xingu é defender a vida e o direito das comunidades de permanecer em seu território.
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