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O futuro do rio Xingu está morrendo, de novo

Fonte: Instituto Socioambiental

No  dia 21 de fevereiro de 2026, indígenas e ribeirinhos da Volta Grande do Xingu voltaram a presenciar uma cena que já se tornou recorrente: milhões de ovas de peixes morrendo no seco, em local que deveria ser um berçário. É o quarto ano consecutivo de mortandade registrada na Piracema do Odilio: 2023, 2024, 2025 e agora 2026.

O flagrante foi documentado pelo Monitoramento Ambiental Territorial Independente (MATI-VGX), aliança entre comunidades locais e pesquisadores com apoio do ISA que, desde 2014, acompanha os impactos da usina de Belo Monte. 

Antes da barragem, a desova da curimatã era sincronizada com a cheia natural do rio. Hoje, com o desvio de até 80% da vazão do Xingu, o nível baixo do rio principal deixa de represar os igarapés. Após chuvas locais, as áreas de piracema secam abruptamente e as ovas ficam expostas fora d’água.

O período reprodutivo é protegido pelo “defeso”, mas, na prática, essa proteção não alcança as piracemas afetadas pela operação da usina. Sem reprodução, os peixes se tornam escassos e a segurança alimentardas comunidades indígenas e ribeirinhas fica ameaçada. Em 2016, a Funai alertou que a perda das espécies aquáticas pode levar ao deslocamento forçado dessas populações.

Mesmo após o Ibama determinar a revisão da partilha das águas, a concessionária Norte Energia tem se recusado a cumprir a medida. Multas acumuladas não impediram a repetição do dano.

Defender o Xingu é defender a vida e o direito das comunidades de permanecer em seu território.

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