Quem matou Eloá?: a mídia e a violência contra a mulher


Foi um “crime de amor”, um “crime passional”, diziam os noticiários em outubro de 2008 sobre os cinco dias em que Lindemberg Alves, o “jovem trabalhador de 22 anos que gostava de jogar futebol e teve uma crise de ciúmes”, manteve Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, em cárcere privado sob constante ameaça e violência.

As 100 horas em que ela ficou presa foram transmitidas por diversos canais da tevê aberta, em tempo real, com ar de filme de ação. O desfecho se deu no dia 17, quando a polícia invadiu o apartamento e Lindemberg matou a ex-namorada com um tiro na cabeça e outro na virilha.

Do caso nasceu o documentário “Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez, que participou de 16 festivais brasileiros e internacionais, e ganhou cinco prêmios. A proposta da obra é discutir a naturalização da violência contra a mulher e a abordagem da mídia televisiva.

Primavera Secundarista pressiona, mas governo segue negando diálogo


Facebook Ocupa IFSUL/ Vinicius MacielOcupar e resistir é o lema que move os estudantes das 1.154 escolas ocupadas em todo o Brasil. Com o movimento, que ganhou o nome de “Primavera Secundarista”, milhares de  alunos da rede pública de ensino assumiram o protagonismo na discussão das mudanças que vão afetar o ensino público. Posicionaram-se contra a MP 746, que visa reformular o Ensino Médio, puxaram para si o debate da PEC 241, que implicará cortes na educação, e questionam o projeto da Escola Sem Partido.

Acampados nas escolas, entre aulões e atividades culturais, os estudantes buscam espaço para que suas pautas sejam ouvidas, ao mesmo tempo em que se veem em meio a polêmicas alimentadas pelo governo e uma cobertura rasa dos acontecimentos.

'Não ocupamos por bagunça, mas porque acreditamos no futuro do Brasil'


"De quem é a escola? A quem ela pertence? Acredito que todos aqui saibam a resposta." Foi assim que a secundarista paranaense Ana Julia Pires Ribeiro, de 16 anos, iniciou seu discurso no plenário da Assembleia Legislativa do estado, na tarde desta quarta-feira (26). Ana Julia se dirigiu aos deputados com alertas sobre as demandas do movimento estudantil, que já ocupa 1.154 escolas pelo país contra a reforma do ensino médio e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, ambas medidas do governo de Michel Temer.

"Os colégios do Paraná e do Brasil estão ocupados pela educação. Não estamos lá para fazer baderna, não estamos lá de brincadeira. Lutamos por um ideal, porque a gente acredita no futuro do nosso país, que vai ser o país dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos, e eu me preocupo com esse país", disse a jovem, aluna da Escola Estadual Senador Manuel Alencar Guimarães.

PEC 241 vai congelar orçamento da Funai no fundo do poço


por Márcio Santilli*

Foto por Cláudio TavaresFalar em arrocho orçamentário na Fundação Nacional do Índio (Funai) é um lugar comum, pois o órgão jamais dispôs de recursos suficientes para desempenhar a contento suas competências legais e dar respostas às demandas dos índios. Nos seus melhores momentos, chegou a saldar dívidas acumuladas e recuperou alguma capacidade de investimento. Mas agora corre o risco de ver o seu orçamento congelado no pior patamar da história.

Tanto Brasil quanto Argentina têm leis contra o feminicídio, mas isso não basta


O assassinato brutal da jovem argentina, Lucía Pérez, de 16 anos, chocou não apenas seus conterrâneos como também toda comunidade internacional. A jovem foi drogada e estuprada e, segundo a polícia, Lucía faleceu em virtude do empalamento sofrido – um objeto pontiagudo foi inserido na sua vagina e no seu ânus. A barbárie contra Lucía provocou a comoção das argentinas que, na última quarta-feira, 19/10, organizaram uma manifestação para pedir justiça e para que não haja mais Lucías no país. A greve das mulheres foi chamada de #NiUnaMenos, hashtag que alcançou o status de mais comentada mundialmente, às 16h, no dia da mobilização.

Não é novidade que a cultura machista está arraigada não apenas no Brasil, como em toda América Latina. O que poucos sabem é que este cenário acarretou a decisão política de 16 países de tipificar o assassinato de mulheres em determinadas circunstâncias.

A Argentina, assim como o Brasil, incorporaram nos seus Códigos Penais o feminicídio como qualificadora e agravante do delito de homicídio. A diferença é que a pena na Argentina é perpétua, enquanto no Brasil a pena é de reclusão de 12 a 30 anos, podendo ser agravada em casos específicos.

Câmara vota segundo turno da PEC 241


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016 que institui o novo regime fiscal e impõe limites em vários outros itens de gastos na elaboração e execução do Orçamento pelo presidente da República, governadores e prefeitos será votada em segundo turno na próxima terça-feira (25). O projeto estabelece que as despesas de custeio e também os investimentos estarão limitados à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Entre as limitações estão os valores das emendas apresentadas pelos parlamentares das três esferas de poder aos Orçamentos públicos, nas compras e nas contratações de produtos e serviços por qualquer ente público.

Já aprovada em primeiro turno pelo plenário da Câmara e em segundo turno pela comissão especial, a PEC 241 impõe teto de investimentos e gastos no país pelos próximos 20 anos e tem sido criticada por parlamentares e associações que representam os setores da educação e saúde.

Mulheres argentinas realizam primeira greve contra a violência de gênero


Nenhuma a menosNesta quarta-feira (19), os movimentos feministas da Argentina convocaram a primeira greve nacional de mulheres, uma reação que se repetirá em vários países da América Latina e do mundo. Para as organizadoras, a luta representa as vozes de quem se organiza para reivindicar o reconhecimento do direito a viver dignamente e sem violências.

A convocatória da greve sinaliza um grito de irmandade entre as mulheres que se parte da profunda comoção diante da onda de violência de gênero que chocou o país e o mundo. Na última semana, foram sete os casos de feminicídio, entre eles o de Lucía Pérez, de 16 anos, que foi drogada, estuprada e empalada na cidade costeira de Mar del Plata. Esse caso foi o fator final que desencadeou para uma ação inédita na Argentina.

Desigualdade social é entrave para inclusão digital


Cerca de 3,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, com idade entre 9 e 17 anos, isto é, em idade escolar, nunca acessaram a internet em suas vidas e, em 2015, cerca de 6 milhões não estavam conectados à rede – 20% da população dessa faixa etária.

Os dados são da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2015, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) com a finalidade de investigar o acesso e uso das TIC (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação) entre os jovens do País.

O levantamento apontou a desigualdade socioeconômica como um entrave para a inclusão digital. No Brasil, enquanto 97% dos jovens da classe AB são usuários de Internet e 85% da classe C, apenas 51% das crianças e adolescentes da classe DE têm acesso à rede.

Brasil é o pior país da América do Sul para ser menina, diz relatório


O Brasil é o pior país da América do Sul em termos de oportunidades o desenvolvimento de meninas, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira pela ONG Save the Children, baseada nos EUA. Entre 144 nações avaliadas, o Brasil ocupa a 102ª posição do Índice de Oportunidades para Garotas. Em todo o continente americano, o país fica a frente apenas de Guatemala e Honduras no ranking que considera dados sobre o casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade materna, representação das mulheres no Parlamento e conclusão do estudo secundário.

O documento dá destaque à posição do Brasil no ranking, “país de renda média superior, que está apenas ligeiramente acima no índice que o pobre e frágil Estado do Haiti”, listado em 105º. O relatório não divulgou tabelas, mas o gráfico deixa claro que o principal problema do país é a falta de representação parlamentar. Os dados utilizados pela pesquisa são os compilados pela União Interparlamentar, de acordo com os quais o Brasil ocupa a 155ª posição no mundo, com apenas 51 deputadas federais, entre os 513 parlamentares eleitos no pleito de 2014.

Morre Rosane Kaingang, importante líder indígena do Sul do Brasil


Rosane Kaingang | Edison Bueno - FunaiMorreu, anteontem (16/10), em Brasília, Rosane Mattos Kaingang, 54 anos, uma das principais líderes indígenas do Sul do País. Ela estava internada no Hospital Universitário (HUB) e lutava, há cerca de três anos, contra um câncer.

Rosane pertencia à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e à Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul). Recentemente, foi uma das responsáveis por uma missão do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) que investigou as condições de vida e violações aos direitos das populações indígenas do Sul do Brasil.