Cândido Grzybowski: A avassaladora e destrutiva privatização dos comuns


Terminal graneleiro da Cargill, Santarém, ParáA radicalidade do governo Temer no desmonte das garantias e regulações legais que vínhamos conquistando parece não ter limites. E o subserviente Congresso Nacional nem está aí. Estamos retrocedendo décadas, se não séculos. Um dos pilares essenciais para nosso futuro como povo brasileiro e da humanidade inteira, dada a interdependência planetária, é a integridade do grande patrimônio natural que nos cabe cuidar. Por diferentes artifícios, quase na calada da noite – as MPs sobre propriedade de terras, por exemplo, foram editadas na véspera do Natal de 2016 –, está sendo desmontado todo o frágil arcabouço institucional de proteção de territórios e povos que vivem exatamente da preservação da sua integridade ecológica e social: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores, seringueiros e demais catadores de produtos da floresta.

Lançamento do Curta “O lá e o aqui”


O lançamento do documentário “O lá e o aqui” irá te apresentar o curta-metragem que traz o relato de jovens estudantes vindos de países africanos para o Brasil e mostra suas percepções sobre as questões raciais, traça um paralelo entre expectativas e realidades. O evento acontecerá no dia 16 de setembro, a partir de 10h, na Casa de Jongo, em Madureira. A entrada é gratuita.

Tudo que conquistamos está em risco, avalia ex-ministra de Políticas para as Mulheres


Na semana em que se completa um ano do golpe no Brasil, com a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff do cargo da presidência da República no dia 31 de agosto de 2016, Eleonora Menicucci, ex-ministra de Política para as Mulheres no governo Dilma, avalia que as conquistas realizadas em relação a equidade de gênero nos últimos anos correm sérios riscos no governo golpista de Michel Temer. “Não podemos pensar em um aprofundamento da democracia sem se pensar na equidade de gênero”, avalia.

Em 2003, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criada a Secretaria de Política para Mulheres (SPM), com status ministerial e orçamento próprio. Segundo o governo federal, até 2016 as mulheres eram titulares de 93% dos cartões do Bolsa Família e de 73% das cisternas implementadas no semiárido brasileiro, assim como de 89% das moradias da faixa 1 – menor renda – do Minha Casa Minha Vida.

Visibilidade lésbica: pior preconceito é no ambiente familiar, diz pesquisadora


Elas são inexistentes para o poder público, enfrentam preconceitos no ambiente de trabalho, são vítimas de violência física e moral e, muitas vezes, não são aceitas dentro da própria família. Para combater o tabu presente na sociedade em relação à orientação homossexual de mulheres, estabeleceu-se o 29 de agosto como Dia Nacional da Visibilidade Lésbica

A pesquisadora da lesbianidade Bianca Chella, em entrevista nos estúdios do Seu Jornal, da TVT, relata que a invisibilidade da população lésbica persiste inclusive nos círculos acadêmicos. Segundo ela, até na área de saúde sexual faltam pesquisas voltadas para o público lésbico que, por desinformação, fica mais vulnerável a todo tipo de preconceito e até de doenças. 

A ponte entre Belo Monte e o cobre da reserva


Em dezembro de 2011 centenas de jovens bloquearam a avenida Paulista, deitando-se no asfalto, simbolizando o que morreria com a construção da hidrelétrica de Belo Monte.  O ovo do belo monstro, em alegoria ideal, fora botado às margens do rio Xingu em 1972 pela promiscuidade militar e os negócios amazônicos, os desejos do país do futuro. O ovo não gorou e a choca percorreu muitos governos, no ninho quente das polêmicas.

Em 2005 deu-se os primeiros trincos na casca do ovo da serpente com o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 1.785/05 aprovado pela Câmara, em julho e posteriormente no Senado, sendo denominado PDS nº 343/05. Sua construção começou em 2010 envolvendo os municípios de Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Altamira, no estado do Pará. Muitos foram os protestos dos povos indígenas e movimentos sociais. Várias disputas judiciais ao longo do processo e conjunturas políticas e econômicas marcaram a gestação e trajetória de Belo Monte, até sua inauguração pela presidente Dilma Rousseff em 5 de maio de 2016.

Governo temerário traz a fome de volta


É preciso resistir mais que nunca e lutar para impedir os retrocessos. A maioria da população só tem a perder com o arranjo político em exercício

Por Nathalie Beghin e Iara Pietricovsky*

As Nações Unidas abrigaram recentemente em Nova York uma reunião de alto nível para discutir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Um dos temas em discussão foi o Objetivo 2, batizado de Fome Zero, inspirado na bem-sucedida experiência brasileira de eliminar a fome, atestada pela FAO em 2014.

Note-se a relevância que o Brasil já teve no cenário internacional, pois suas políticas públicas foram capazes de influenciar um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, assinada em 2015 por 193 países.

Xinguanos protestam contra indicação política na Saúde


Xinguanos ocupam pacificamente o Dsei de Canarana (MT) desde o dia 25 de agosto|Kamikiá KisêdjêOs indígenas do Território Indígena do Xingu (TIX) exigem a revogação imediata da Portaria nº 2.058, que exonerou a coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena, Alessandra Santos Abreu, indicada por eles no ano passado. Para o lugar dela foi nomeada Creusa Lopes Farias no lugar. Os indígenas alegam que a nomeação tem cunho político e que ela não é apta para o cargo.

Belo Horizonte: A Ocupação está de volta contra políticas higienistas


Dezenas de coletivos autônomos de Belo Horizonte se mobilizaram para organizar um ato político e cultural nesse domingo, 27 de Agosto. A Ocupação 9 – A Rua Vive! contará com 12 horas de programação para diversos públicos, contando com atrações musicais, performances teatrais, aulas e oficinas, além de brincadeiras infantis. “Esperamos uma festa maravilhosa no domingo” disse Nathalia Orleans Barcelos, ativista do movimento Viaduto Livre e uma das colaboradoras desta edição de A Ocupação. “Temos muita gente somando, muita gente querendo fazer acontecer e buscando que algo diferente aconteça na cidade”,

No apagar das velas


Age na calada o que destrói. Época de grandes atentados, não seria diferente com a floresta. A Reserva Nacional do Cobre foi extinta entre Amapá e Pará. Tumucumaque, Paru, Maicuru, Jari, Cajari, Iratapuru, Waiãpi; tudo vivo inibe agora ao metal para moeda, minérios para receitas, é necessário suprir o déficit.

Na noite o corpo habita outras formas nos dias desse momento, não sabemos se é o porte ou a luz que inibe o tom das cores, mas ao breu e seus ardis se mostra, em economia, o país . Temer desregula o que se mantinha ao resguardo, quer em golpe comercializar o ouro da terra.

Nos anos 80 uma geração pedia demarcação. Agora no século 21 desmarcam. Por que retrocedemos tão rapidamente em noite fria?

Em vigília guarda o índio o fogo. O silêncio nos congela.

Decreto 9142/17: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/491144356/decreto-9142-17

Sistema político inviabiliza eleição de negros para cargos legislativos


Para alguém que entra numa câmara legislativa, o Brasil nem parece o que de fato é: um país complexo, composto de uma ampla população de diferentes etnias. A representatividade de indígenas, negros e mulheres no poder é bastante reduzida. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e a Câmara de Vereadores da capital paulista são um bom retrato desse quadro – mesmo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de negros e indígenas no Estado seja de 37% do total.